Júlio de Ló Blog


Pretextos

Adoro pretextos. Pretextos me possibilitam expressar e presentear algo a alguém, que sem tal pretexto poderia parecer estranho, fora do lugar, “que nada a ver”, inconveniente até.

Chegue para seu chefe e dê um presente sem ser aniversário dele: é puxa-saco. Dê um abraço mais longo em um colega: está com segundas intenções. Dê um chocolate para sua irmã: “o que você quer dessa vez?”.

Então quer dizer que a gente só pode se expressar assim quando há pretextos? S…, quero dizer, claro que não! É que o mundo ainda não se acostumou com a possibilidade da generosidade à toa. Generosidade à toa é aquela que não acontece em natais, aniversários, premiações, festas, datas especiais. Tem uns que foram tão à toa na vida que os homens os elevaram a condição de santos. O mundo está tímido para a generosidade à toa. Cultura tímida. Apesar de eu ter a sorte de conhecer muito cara-de-pau por aí.

Sabe, poder dar um pedaço de bolo que você fez para uma pessoa que mal conhece – só de afeto; fazer uma surpresa-presente – só de afeto; dar uma recordação que nada recorda – só de afeto; uma carta-poema-afeto. Me afeta quando afeto o outro, afeto bom. Gosto de tudo afetado!

Fato é que os pretextos podem ser usados em muitos casos, inclusive para desafetos. A vingança. Excelente pretexto de certas emoções. A vingança é um prato que se come frio. Que geralmente acontece quando alguém cuspiu no prato em que comeu. Prato cheio para desarranjos. Agora, pondo em pratos limpos: a vingança, cuidado!, suja; já a generosidade, cuidado, cuida.

Existem mil pretextos para mil coisas. Todavia, hoje estou sem um único para justificar a existência desse texto. Não o encontro. Pensando bem, encontrei. Eis o pré-texto! Pré-texto, porque, talvez, um texto só se torne texto quando finalizado. Eu sei, um jogo de palavras para criar: pretextos – é!, gosto deles, me passam sensação de segurança. Faz a gente não parecer ridículo. Mas acho que chegou a hora de me emancipar. Agir sem pretextos. Assumir o risco do ridículo. Generosidade à toa. Não para virar santo. Mas, apenas para vir-a-ser um cara-de-pau. Ser à toa. E, mesmo sem pretexto algum, deixando o pré-texto de lado, concluindo, me expresso:

Um longo abraço,

Com muito afeto,

Júlio de Ló

 



Mulher-estima

Não dá! Não dá! Quando falo que não dá, não dá! Não dá para viver assim. Não sei como alguns amigos conseguem existir desta maneira. Eu estou falando da mulher-estima. Mais da metade deles a possuem. Quem é a mulher-estima? Não é pessoa! O que é mulher-estima? Bom, é quando um homem ao invés de possuir auto-estima, possui uma pseudo-auto-estima, que denominei, depois de muitos anos de apuro, de mulher-estima, isto é, homens que dependem da aprovação feminina para se autovalorizarem. Em outras palavras: o amor-próprio de um ser humano do sexo masculino só existe quando passa pelo crivo vagínico.

É duro, mas é verdade. É um saco, mas é um fato. Não vou falar que possuir mulher-estima seja a pior coisa do mundo, ou responsável por todos os males dos homens-malas, ou ainda seja a Boceta de Pandora da mitologia grega. Não, realmente não é. Estaria sendo injusto se dissesse que sim. Simplesmente me incomoda conviver com gente assim.

Por exemplo: ao passar na casa de um sujeito, possuidor de mulher-estima, e convidá-lo para fazer um programa singelo e que tenha relativa probabilidade de trombar com algum ser do sexo feminino, vale dizer, sair para um boteco ralé, ir tomar chocolate quente num café, comprar pão na padaria a pé. É impressionante como um detentor de mulher-estima enrola para sair. Põe uma bermuda tal, um adereço aqui, muda a franja para lá, corta um pelo ali… E o curioso deste macho curioso é que não é narciso, pois narciso é aquele que enamora a si mesmo, e este tipo de sujeito jamais se olha no espelho se não for encontrar alguma fêmea. E outro fato curioso deste macho curioso é de não ser mulherengo, pode parecer contraditório, mas ele não é necessariamente um pegador – ele pega, não pega bem ser assim, mas pega.

Como reconhecer um? Oras, há algumas dicas. Se estiver num ambiente social e perceber que um macho está flertando indiscriminadamente com todas as mulheres ao mesmo tempo – é ele. Se estiver comprando roupa e ver um macho pedir apenas a opinião das vendedoras e das mulheres que transitam na loja, anulando o próprio gosto e vontade – é ele. Se na academia se deparar com um ser deformado por anabolizantes e a cada movimento do tríceps olhar para uma garota diferente – é ele. Fez aplique capilar porque viu uma matéria sobre “a sedução do homem e seu cabelo” na Discovery – é ele. Critica, fala mal, despreza determinada mulher, pois ela não deu trela para… – é ele mesmo. Estão aí por toda parte. Mais do que podemos imaginar.

É claro que essa pseudo-auto-estima, não se limita apenas aos seres do sexo masculino. Há também a homem-estima, que são as mulheres que dependem da aprovação masculina para se autovalorizarem, ou seja, necessitam passar pelo crivo peniano. Entretanto, o que mais me chama a atenção em algumas mulheres, não é o caso de possuírem a homem-estima, mas a própria mulher-estima. Se fossem mulheres homossexuais, faz sentido possuírem mulher-estima, assim como homens homossexuais, a homem-estima, todavia o lance é das mulheres heterossexuais serem detentoras da mulher-estima. Para mim é estranho demais. Eu particularmente nunca entendi. Elas se vestem, se arrumam, se pintam, se capacitam, se aprimoram, se mostram interessantes, não para si, nem para os machos de sua espécie, mas para as outras mulheres. Não sei se elas foram homens na última encarnação. Talvez sim. Talvez seja saudade de ter três pernas. Talvez sintam inveja de não poderem fazer xixi em pé. Ou arrotar entre amigos e receber aplausos. Talvez tenham escutado do namorado “mulher de amigo meu pra mim é homem” e o namorado é muito popular. Talvez. Realmente não sei, são somente talvezes. Talvez.

Muita pesquisa. Muita análise. Muitos estudos. Lembro: Quantos jogos de futebol, quantas saídas para bares, quantas festas idas, quantas caronas dadas, quantas voltas no parque, quantos blefes no truco, sempre junto de bons amigos (vira e mexe tinha mais alguns conhecidos e coadjuvantes, mas que não vem ao caso). E lá, na intimidade da amizade, onde as máscaras são postas de lado, onde as ovelhas desvestem seus trajes de lobo, onde o afeto humano é bem visto e bem-vindo… Eis que surge uma… basta uma… apenas uma… e pronto! Máscaras são recolocadas, a lua cheia metamorfoseia as doces ovelhas em lobos famintos – famintos por olhares femininos de aprovação – o afeto humano, de abraços fraternos, transformam-se em braços de ferro, uma guerra inconsciente engendrada no interior de cada um…

Pare!

Nós homens devemos sim estimar as mulheres, mas não nos submetermos a elas. Bastam nossas mães que são capazes de com um comentário banal mudar toda a nossa vida, e agora, você, amigo meu, mudando o seu comportamento, esquecendo do seu “eu real”, do seu sentimento sincero de irmandade, por causa de um efêmero momento, um rabo-de-saia, uma ilusão psíquica! Ponhamos um ponto final nesta história! Mudemos, já! E aqui, faço meu apelo e convoco: “Homens esclarecidos de todo o mundo, uni-vos!” E juntos lutemos em prol desta nobre causa, resgatando falos perdidos, não importando quanto tempo isso demande, pondo assim a verdade face a face, cara a cara, glande a glande! Primeiro: nossos estimados amigos. Depois: todos os irmãos dos quatro quadrantes de nossa esfera. Cantemos, marchemos, em coro, uníssono, para que o mundo inteiro ouça “Diga: NÃO a mulher-estima e SIM a auto-estima!”¹.

Júlio de Ló

¹ As mulheres portadoras de mulher-estima são bem-vindas, então cantem com a gente!



Sentimento Amadoreiro

Não sei expressar meus sentimentos. Fica cafona (assim como a própria palavra cafona é cafona). Fica brega (assim como a própria palavra brega é cafona). Fica amadoreiro (uma palavra que não é brega, nem cafona, mas também não existe). Falar de sentimentos… acho que sou um amador (essa existe e me define), tanto na hora de escrever sobre, quanto ao lidar e me relacionar com uma linda mulher (ficou brega ou cafona?). Mas, toda essa introdução é só para dizer que estou pouco me lixando para o que as pessoas pensam. Estou aqui, colocando minha cara a tapa, para dizer o que eu sinto. E saiba que sinto sem querer sentir. Sinto porque sinto. Sinto logo existo. Sim, tô assim porque sinto. Sinto insegurança. Cinto de segurança. Sim sim salabim. Sincretismo. Sintonia. Sinto agonia. Sinderela é com “c”. Se você soubesse o que eu sinto? Sinto muito.

Não sabia que era tão difícil expressar o que sinto. No entanto, não vou desistir. Não! Quando se sente algo verdadeiro tem que se ir até o fim. Faltam 25 linhas para o fim. E tudo isso é somente porque estou a fim de uma garota (é o fim do mundo). “Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo” acho que ela não se interessaria por mim, nada contra o nome, todavia não combina comigo. Raimundo, Herculano, Jorge Tadeu, Serafim, Fagner, Heródoto, são nomes de pessoas que já existiram por tempo considerável no nosso vasto mundo. Eu me chamo… Ela se chama… Eu a chamo de Leãozinho (ok, brega e cafona!). E eu? Oras: Miau! (ok, transcendi, se preferir: veado! – olha, mas antes de continuar, quero fazer um adendo: não tenho nada contra a homossexualidade, pelo contrário, mas é que o termo veado vai muito mais além, se refere a alma: a alma veada! Quem é veado é veado, seja homem, seja mulher, seja hetero, seja poodle, veado não se refere ao sexo, veado é aquela amiga que faz escândalo ao te ver, usa roupas excêntricas, sente inveja descaradamente, mas jamais perde a classe, é histééééérica, possui um vocabulário próprio, troca o “j” e o “s” pelo “z” (Zúlio Zafado), faz gestos eloqüentes sem desgrudar o cotovelo do corpo, “eu te amo” é mesma coisa que “bom dia”,  chora rindo, ri chorando, enfim, veado – Miau!)

Mas veadagem à parte. Tudo que fiz até o instante foi desenvolver uma teoria e me esconder atrás dela. E faltam apenas 9 linhas e ainda nada falei. Então, por precaução, vou discorrer sobre um tema qualquer, por exemplo este que está martelando na minha mente: pessoas apaixonadas. Já reparou que elas expressam a alegria por estarem apaixonadas de diferentes maneiras. Um abraço mais forte, um sorriso tímido, uma dança não catalogada, um atraso num compromisso. Uma expressão de réu que se entrega por crime algum cometido, um tropeço divagante em calçadas lisas, um papel cheio de nomes (iguais), outro atraso num compromisso. Um detalhe no pescoço, uma ligação inesperada-esperada, um canto desafinado ou afinado ao ouvido do coração. E, finalmente aquelas que criam crônicas sem pé nem cabeça e faltam em compromissos para escrevê-las. Mas, apesar das diversas formas de expressar tal sentimento, o brilho nos olhos delas é sempre o mesmo.

Júlio de Ló



Mundo Fantástico do Consumo

Bem-vindo ao mundo fantástico do consumo. Entre, pegue e leve o que quiser. Tem inutilidades para colocar na parede. Tem bugigangas que descascam bananas – seja prata, nanica, ouro, maçã e até a da terra. Tem celular com porta lápis e porta lápis com porta retrato. Tem prego sem ponta. Tem quadrado de seis lados. Tem bisturi infantil. Tem almôndega gigante. Tem índio queimado. Tem filho de juiz livre. Tem hamster mutante. Tem cachecol de beduíno. Tem sapato de pena de pato. Tem coleira de girafa modelo ano-que-vem. Tem o que você precisa. Pense numa coisa… aqui tem! Pense em outra… aqui tem! Mais uma… também tem! Você não consegue pensar, temos os 4P’s – Pense Para Produzir sem Pain. Tem tradutor da palavra Pain. Tem tudo, inclusive o nada. É meu caro amigo, acabaram seus problemas. E se acabaram, não se preocupe, aqui também tem, tem problema do urso panda na china, o problema do bebê esquimó, o problema do “probrema”, o problema da falta de água no mundo, o problema das enchentes de São Paulo, o problema dos muros doentes dos hospitais. Fique tranqüilo, se o problema é o problema, o mundo fantástico do consumo não vai te deixar na mão. Tem réplica da mão-invisível de Adam Smith. Tem mão-boba para namorados tímidos. Tem papel higiênico reciclável. Tem automóvel conversível, peruca conversível e até fanático religioso conversível. Tem leitor de e-mail para cegos com sotaque de estrangeiro. Tem amigo-invisível, versões: criança e/ou adulto. Tem penico canino de acoplamento anal para passeio, com cinta extra. Tem dente de alho de leite. Tem fogão com 12 bocas, com dentes para dentistas e com batom para madames. Tem palito de fósforo que acende dos dois lados. Tem irmãos mais velhos para futuros caçulas. Tem primeiro marido para viúva. Tem termômetro que toca mp3. Tem corruptômetro – medidor de corrupção – que vai de zero a 171. Tem medida provisória que proíbe o uso de corruptômetros. E tem pizza para fechar com chave de ouro. Que maravilha! Procurou, encontrou! Mas espere, se você comprar mais de apenas 50 produtos, poderá gratuitamente com o nosso tatuador especializado, tatuar sua grife predileta em qualquer parte do seu corpo. Então: seja bem-vindo! Viva o Mundo Fantástico do Consumo. Eis o paraíso na Terra! Aproveite! Liquidação Primavera-Verão-Outono-Inverno! Vem! 

Júlio de Ló 

 

 



Marlon – Um sujeito Medíocre

Medíocre, assim que é. Pode parecer desrespeitoso, um descaso, ou quem sabe até uma ofensa. Mas não, quando digo medíocre, quero dizer mediano, medial, médio. Justifico. Marlon possui dois irmãos: o primogênito e o caçula, ou seja, é o do meio. Seus olhos não são verdes, nem jabuticabas. Cor de mel. Cabelos loiros, não. Cabelos pretos, tampouco. Cabelos castanhos claros. Não serve para jogador de basquete – não cresceu muito – nem serve para ser invocado – não é baixinho – estatura mediana. Nunca foi um c.d.f., nem f.d.p., passava de ano. Fanático por futebol, não, todavia não chega a ponto de responder “o meu time é o Brasil”. Caucasiano ou negróide? É um negro desbotado ou um branco engraxado. Engraçado – não tem fama de –  mas também não possui a comicidade paterna de piadas infames. Se expressa bem – bem normal – uma mistura de gestos do bairro da Mooca com um toque afrancesado. Gosta de mulher? Gosta, porque é “hetero”, se fosse “homo” gostaria de homem. Não é ansioso, nem cuca fresca. Não é de peixes, nem de leão – libra. Não tem corpinho de sumô, nem desfila ao lado da Gisele Bündchen. Idade: flor da idade. Rico? Pobre? Classe média mesmo. Jeans, cabelos por cortar, desodorante, mas não perfume, camiseta barata de Shopping Center. Inglês intermediário. Não fuma, contudo vive em São Paulo. Bebe socialmente. Sai fim-de-semana sim, fim-de-semana não.

Poderia ficar páginas e mais páginas descrevendo Marlon. No entanto, vou parar pela metade.

Júlio de Ló

Curiosidade:  a letra “M”, de Marlon, está no Meio do alfabeto!



O Maior Prazer de um Homem

Um dos maiores prazeres de um homem é casar e sair com os amigos.

Obs.1: Esta frase pode parecer machista, mas não é de forma alguma. Ela também se aplica ao gênero feminino, isto é, “um dos maiores prazeres de uma mulher é casar e sair com as amigas”.

Obs.2: Entretanto, peço licença para escrever tal frase no eu-lírico masculino, afinal, homem eu sou.

Obs.4: Se você for jovem e não estiver a fim de sair com seus amigos, uma dica: lembre-se que no futuro estará casado, então uma vontade louca brotará de dentro de você, o impulsionando para fora de casa, numa alegria imensurável.

Obs.3: Sejamos gratos a Razão, que possibilita a compreensão do tempo – passado, presente, futuro.  E assim podemos transformar o presente em presente.

Obs.5: Optei por colocar a Obs.4 antes da Obs.3 com único objetivo de manter a coerência das idéias. Se seguíssemos o encadeamento natural das “OBSs”, poderia causar uma certa estranheza de raciocínio.

Obs.6: Como toda regra possui exceção, a frase principal também possui. Ela não pode se aplicar em belos casos, como de “casais bem-sucedidos”.

Obs.7: Pula.

Obs.8: Você pode estar se perguntado: porque utilizar Obs. em vez de PS.? Obs. para quem não sabe é abreviação de observação, já PS. vem do latim postscriptum, que quer dizer pós-escrito.

Obs.9: Você reparou que não respondi a Obs.8?

Obs.10: E continuo sem responder.

Obs.11: Mas responderei na Obs.12.

Obs.17: Essa não é a Obs.12.

Obs.12: PS. só pode ser utilizado no final do texto depois da assinatura. E como ainda não assinei…

Obs.13: Quais outros profundos prazeres existiriam para um homem (ou uma mulher)? Ver um jogo de futebol? (Ver as coxas dos jogadores de futebol)? Tirar o terno e gravata, e erguer as pernas peludas depois de um dia fatigante de trabalho? (Tirar o tailleur e a meia-calça e erguer as pernas peludas depois de um dia fatigante de trabalho)?  No fim-de-semana, assistir televisão com o controle remoto, dormindo como um porco no sofá a tarde toda? (No fim-de-semana, assistir televisão, vendo algum canal sobre animais e acariciando outro, enquanto dorme, a tarde toda)? Praticar esporte em um dia de sol, tomar uma ducha gelada, almoçar e comer uma sobremesa? (Praticar esporte em um dia de sol, tomar uma ducha gelada, almoçar e comer uma sobremesa e comer uma sobremesa e comer uma sobremesa…)?

Obs.15: Por causa desta frase muitas pessoas pensam duas vezes antes de casar com qualquer paixãozinha que aparece. Analisam e buscam uma afinidade real no relacionamento. Pois, a função da mulher não deve ser simplesmente de uma companhia para festas, mas de uma companheira para vida.

Obs.14: Ter colocado a Obs.15 antes da Obs.14, não tem nenhum motivo lógico. Foi pura questão de estética.

Obs.16: Infelizmente não vou me aprofundar sobre a estética em si.

Obs.18: As “OBSs” terminarão na Obs.20.

Obs.19: É na próxima.

Obs.20: Fim.

Júlio de Ló

PS.1: O título é a última coisa que se coloca num texto. Por isso, está diferente da frase principal. Porque, depois de muita reflexão, conclui: “o maior prazer de um homem é casar e sair com os amigos”

PS.2: Aqui sim pode se usar PS..

PS.3: Obs.20.



Banheiro

Pode parecer um disparate de minha parte, mas vou tocar num assunto que particularmente considero de suma importância para a nossa cultura, mas não vejo ninguém discutindo ou debatendo sobre ele. Por isso, peço que parem de bisbilhotar as fechaduras e abram as portas para o Banheiro!

Qual o papel do banheiro na sociedade atual? O papel é higiênico, isto está claro, entretanto vai muito mais além. O banheiro está presente desde a infância até os últimos dias de nossas vidas. É lá que meninos e meninas se descobrem, criando intimidade com o próprio corpo. Os pré-adolescentes fazem seus primeiros bigodes, mesmo ainda sendo imberbes. Improvisam caretas que jamais sairão dali. As moças se embelezam, se pintam, usam laquê. Os homens maduros compreendem que deixaram de ser aquele garoto cabeludo-imberbe, para se tornar um careca-barbudo. É o primeiro cômodo do dia visitado que nos acomoda. É lá também que em dias fatigantes e frios tomamos banhos que relaxam até alma. As madames atualizam suas fofocas. É onde se descome após deliciosas refeições infindáveis. E os pais se informam sobre o mundo, se conscientizam e se instruem, seja com seus jornais diários, revistas ou livros – local que passa a ser para alguns um templo sagrado, para outros um modesto escritório, e para os mais audaciosos e sonhadores, esperam reerguer e reviver a biblioteca de Alexandria!

O banheiro transcende! Poderia ficar linhas e linhas discorrendo sobre a poesia latrina. Mas gostaria de elucidar outros pontos que também fazem parte deste universo.

Andei reparando que praticamente todos indivíduos, grupos ou tribos sociais utilizam o banheiro. O intrigante é que cada tribo o chama pelo nome que mais lhe convém. Escolhi três como objeto de análise.

T.T., Tribo Toilette – São os refinados. É possível reconhecê-los em circunstâncias diversas, como nas refeições. Se o assunto na mesa for, por exemplo, adubo e alguém fizer cara de nojo, saiba: é um T.T. – hipocrisia ou não, os pratos saboreados se tornarão, em questão de horas, adubo (humano). Reparei que a maior frustração de um integrante da T.T. é de não possuir em casa um bidet, afinal, para eles, “toilette sem bidet não é toilette, monsieur!”.
T.S., Tribo Sanitário – Para encontrá-los, não é tão simples, mas tenho uma dica indefectível. Basta se dirigir a um parque, museu ou show público e então alguém virá lhe perguntar “por favor, conhece algum sanitário por aqui”. Batata! É impressionante! Não há uma vez que isso não ocorra. Eu considero a tribo que mais cresce no país. Há sempre alguém novo querendo participar. Uma característica é que, geralmente, estão ansiosos para encontrar um companheiro sanitário, nunca entendi o porquê. Percebo muitos intelectuais de esquerda e bichos grilos neste movimento. Sim, pode ser chamado de movimento: M.T.S.. No entanto, o que fazem? Não sei. Talvez, se reúnam para ir contra a este sistema que fede.
E por fim: T.W.C., Tribo Water Closet. São os descolados. Querem parecer moderninhos – um look mais fashion que o outro. O canal predileto é MTV, Music Television. Se consideram os winners do mundo. E para achá-los é fácil. McDonald’s, BlockBuster, Shopping Center, são alguns dos locais que freqüentam. Trabalham em multinacionais e a partir do momento em que conheceram a privada, “abostam” na privatização de tudo, no entanto se esquecem de lavar as mãos depois das obras realizadas. Um dado histórico: a T.W.C é originária do mesmo país em que houve a colisão de aeronaves com as torres do W.T.C.. E o seu lema é “W.C. é cool“.

Mas depois de toda essa elucubração, quero exprimir o que de fato me encanta no banheiro. É a liberdade – ou liberté para a T.T., freedom para a T.W.C. e para o M.T.S., ainda desconheço o conceito atribuído a este termo, contudo ouvi dizer que eles almejam maior liberdade entre os países do “Merdosul” – Liberdade. Que ao se unir com a Privacidade possibilita o isolamento total, indo de encontro comigo mesmo, com o silêncio, o sossego, a paz interior. E às vezes, é apenas aqui, sentado, sem influência exterior, em estado de reflexão, que consigo me concentrar para escrever crônicas como essa e alcançar a “abosteose”!

Júlio de Ló




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