Júlio de Ló Blog


Sentimento Amadoreiro

Não sei expressar meus sentimentos. Fica cafona (assim como a própria palavra cafona é cafona). Fica brega (assim como a própria palavra brega é cafona). Fica amadoreiro (uma palavra que não é brega, nem cafona, mas também não existe). Falar de sentimentos… acho que sou um amador (essa existe e me define), tanto na hora de escrever sobre, quanto ao lidar e me relacionar com uma linda mulher (ficou brega ou cafona?). Mas, toda essa introdução é só para dizer que estou pouco me lixando para o que as pessoas pensam. Estou aqui, colocando minha cara a tapa, para dizer o que eu sinto. E saiba que sinto sem querer sentir. Sinto porque sinto. Sinto logo existo. Sim, tô assim porque sinto. Sinto insegurança. Cinto de segurança. Sim sim salabim. Sincretismo. Sintonia. Sinto agonia. Sinderela é com “c”. Se você soubesse o que eu sinto? Sinto muito.

Não sabia que era tão difícil expressar o que sinto. No entanto, não vou desistir. Não! Quando se sente algo verdadeiro tem que se ir até o fim. Faltam 25 linhas para o fim. E tudo isso é somente porque estou a fim de uma garota (é o fim do mundo). “Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo” acho que ela não se interessaria por mim, nada contra o nome, todavia não combina comigo. Raimundo, Herculano, Jorge Tadeu, Serafim, Fagner, Heródoto, são nomes de pessoas que já existiram por tempo considerável no nosso vasto mundo. Eu me chamo… Ela se chama… Eu a chamo de Leãozinho (ok, brega e cafona!). E eu? Oras: Miau! (ok, transcendi, se preferir: veado! – olha, mas antes de continuar, quero fazer um adendo: não tenho nada contra a homossexualidade, pelo contrário, mas é que o termo veado vai muito mais além, se refere a alma: a alma veada! Quem é veado é veado, seja homem, seja mulher, seja hetero, seja poodle, veado não se refere ao sexo, veado é aquela amiga que faz escândalo ao te ver, usa roupas excêntricas, sente inveja descaradamente, mas jamais perde a classe, é histééééérica, possui um vocabulário próprio, troca o “j” e o “s” pelo “z” (Zúlio Zafado), faz gestos eloqüentes sem desgrudar o cotovelo do corpo, “eu te amo” é mesma coisa que “bom dia”,  chora rindo, ri chorando, enfim, veado – Miau!)

Mas veadagem à parte. Tudo que fiz até o instante foi desenvolver uma teoria e me esconder atrás dela. E faltam apenas 9 linhas e ainda nada falei. Então, por precaução, vou discorrer sobre um tema qualquer, por exemplo este que está martelando na minha mente: pessoas apaixonadas. Já reparou que elas expressam a alegria por estarem apaixonadas de diferentes maneiras. Um abraço mais forte, um sorriso tímido, uma dança não catalogada, um atraso num compromisso. Uma expressão de réu que se entrega por crime algum cometido, um tropeço divagante em calçadas lisas, um papel cheio de nomes (iguais), outro atraso num compromisso. Um detalhe no pescoço, uma ligação inesperada-esperada, um canto desafinado ou afinado ao ouvido do coração. E, finalmente aquelas que criam crônicas sem pé nem cabeça e faltam em compromissos para escrevê-las. Mas, apesar das diversas formas de expressar tal sentimento, o brilho nos olhos delas é sempre o mesmo.

Júlio de Ló

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14 Comentários so far
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Hummm, apaixonado, é?

Comentário por Nat

eu?! 😉

Comentário por Júlio de Ló

Olha Juninho, só não concordo com a parte onde diz que não sabe expressar seus sentimentos, acabou de fazê-lo, e muito bem.
Adorei o texto!
Sobre o s da cinderela, muda pra branca de neve que não tem erro neguin.
rãm bora?

beijos!

Comentário por Marcela

Oi Juuuuu,
Vi seu blog por acaso acredita?! (Acredita no acaso? eu não.)
Adorei tudo. E vc sempre foi bem veadinho/viadinho? sensível? louco? antes quem me diz né…
Enfim vou continuar a ler…adoro vc.
Ah e pra quem, como vc, não consegue escrever sobre sentimentos…fica a frase de Fernando pessoa: “Há tanta suavidade em nada dizer e tudo se entender.” Ela há de te entender…
Bjux***
Ju Burgato (da época do Anglo, sabe? rs*)

Comentário por Ju*

Gostaria de expressar, mais uma vez, minha admiração por seus textos caro Júlio, mas, como você sabe (sabe?), sou péssima pra me expressar.
Então fico com mais um “arrasou, meu caro Júlio” e mais um puxa-saquismo: “você é incrível!” 🙂

Comentário por Gabi

Hehehe… é Julião… sentimento estranho esse né? O texto ficou muito bom cara e eu faço votos que esse sentimento te traga muitos frutos. E olha só: muito em breve (provavelmente na virada do mês) vou colocar no ar um blog meu, junto com outros amigos. Quando acontecer eu te mando o link, quero que leia também ok? Abraços!

Comentário por Thiago

Com certeza thi, demorou! Valeu.

Comentário por Júlio de Ló

Júlio, creio que já é hora de parar com brincadeiras e amores fugazes, todavia firmar uma família, uma carreira sólida e encarar com hombridade os desafios do casamento e da vida séria.
Somente com uma postura austera, firme e transparente haverá a evoluçao. Nao há mais tempo a perder com paparicos e xacotas.
Um forte abraço
Ricardo Cascardi – – Perna

Comentário por Perna

Se tem uma coisa que acredito… é que o mundo não é o que parece, assim como o amor.
Podemos não saber se expressar da melhor forma possível para conquistar a pessoa que estamos apaixonados… é que nem a frase “em um simples sorriso, pode conter uma imensaa alegria”
me entendeu? se não… uma coisa lhe garanto Júlio, quis dizer mta coisa, mas palavras, nem gestos são suficientes para explicar, a resposta então… é amar! AME MUITO!
vai aí minha dica, de alguém anônima pra você, mais que adorou esse lugar perdido por aq…
=)

Comentário por Jéssica Figueira

“uma dança não catalogada”
“um detalhe no pescoço”
Que bontito que essas aberrações ficaram!

Brincadeira, não são aberrações, mas que algumas coisas mudaram de nome pra mim, isso mudaram, nunca mais poderão dizer que danço mal, nunca mais terei…

Beijos pra vc, e pra todo mundo que lê esse blog. E pra todos que sabem ler e para os que não sabem!

“um canto desafinado ou afinado ao ouvido do coração” que romântico…

Comentário por Anônimo

Eu adorei esse texto. Principalmente porque eu só consigo escrever quando me vem esse mesmo turbilhão de palavras na boca que não saem bem da boca e sim das mãos e eu me pego fazendo obervações sobre as coisas que eu observei e inventando palavras pra tentar explicar a angústia que é não saber dizer.

Comentário por Mayara Facchini

Eu, muito racional o tempo todo, demorei muito tempo para entender este processo da paixão… depois vem o Amor (com letra maiúscula mesmo). Hoje Amo e ainda sou apaixonado… Acho que dei ouvidos ao Gibran…

…Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante. Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis derivar ou permanecer imóveis no meio do mar. Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão, deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.

Que vossa alma eleve, portanto, vossa razão à altura de vossa paixão, para que ela possa cantar, E que dirija vossa paixão a par com vossa razão, para que ela possa viver numa ressurreição cotidiana e, como a fênix, renascer das próprias cinzas.

Gostaria que tratásseis vosso juízo e vosso apetite como trataríeis dois hóspedes amados em vossa casa. Certamente não honraríeis um hóspede mais do que o outro; pois quem procura tratar melhor um dos dois, perde o amor e a confiança de ambos.

Abraços,

Comentário por Daniel Doretto

Aii adorei,vc tem uma imaginação brilhante!Eu nao consigo nem fazer redação direitoo!kkk
De verdade goste muitooo!haha’

Comentário por Mirella

Eu sempre tive um “defeito”. Sou brega e cafona. Como escritora, nunca deixei de declamar meus amores, desde através de um poema sutil até uma prosa escancarada. O problema é como as pessoas enxergam o amor de um escritor. Escritores não são levianos, nós não desperdiçamos as palavras no papel para aqueles que não merecem nossa atenção, não desperdiçamos nosso tempo com amores de finais de semana, pois sabemos que a escrita, antes de tudo, é dor e sofrimento. Nós escalamos montanhas, lutamos contra águas frias e correntezas sinuosas. Costumo dizer que existimos por causas perdidas que muitas vezes não sabemos o que são e cabe a cada palavra escarrada no papel ou um editor de texto, desmistificar o pequeno grão de um grande propósito que muitas vezes é um mistério. Falando de amor, eu me pergunto porque raios, depois de tantas tentativas frustradas, eu ainda canto o meu amor em uma prosa atemporal ou poemas sem métrica. Quem sabe um dia eu encontre alguma resposta plausível. Enquanto eu não encontro isso, eu continuo com a minha saga a la Dom Quixote de saias, de escrever todo o meu amor louco e até um pouco sensato, mesmo sabendo que todos os dragões que desajeitadamente eu tento lutar são apenas moinhos de vento, e são eles que me fazem sentir frio… Aquele frio na barriga de cair no ridículo e ser tudo apenas coisas em vão. C’est la vie!

Gostei do teu blog! Abraços!

Comentário por Ana Idris




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