Júlio de Ló Blog


Mulher-estima

Não dá! Não dá! Quando falo que não dá, não dá! Não dá para viver assim. Não sei como alguns amigos conseguem existir desta maneira. Eu estou falando da mulher-estima. Mais da metade deles a possuem. Quem é a mulher-estima? Não é pessoa! O que é mulher-estima? Bom, é quando um homem ao invés de possuir auto-estima, possui uma pseudo-auto-estima, que denominei, depois de muitos anos de apuro, de mulher-estima, isto é, homens que dependem da aprovação feminina para se autovalorizarem. Em outras palavras: o amor-próprio de um ser humano do sexo masculino só existe quando passa pelo crivo vagínico.

É duro, mas é verdade. É um saco, mas é um fato. Não vou falar que possuir mulher-estima seja a pior coisa do mundo, ou responsável por todos os males dos homens-malas, ou ainda seja a Boceta de Pandora da mitologia grega. Não, realmente não é. Estaria sendo injusto se dissesse que sim. Simplesmente me incomoda conviver com gente assim.

Por exemplo: ao passar na casa de um sujeito, possuidor de mulher-estima, e convidá-lo para fazer um programa singelo e que tenha relativa probabilidade de trombar com algum ser do sexo feminino, vale dizer, sair para um boteco ralé, ir tomar chocolate quente num café, comprar pão na padaria a pé. É impressionante como um detentor de mulher-estima enrola para sair. Põe uma bermuda tal, um adereço aqui, muda a franja para lá, corta um pelo ali… E o curioso deste macho curioso é que não é narciso, pois narciso é aquele que enamora a si mesmo, e este tipo de sujeito jamais se olha no espelho se não for encontrar alguma fêmea. E outro fato curioso deste macho curioso é de não ser mulherengo, pode parecer contraditório, mas ele não é necessariamente um pegador – ele pega, não pega bem ser assim, mas pega.

Como reconhecer um? Oras, há algumas dicas. Se estiver num ambiente social e perceber que um macho está flertando indiscriminadamente com todas as mulheres ao mesmo tempo – é ele. Se estiver comprando roupa e ver um macho pedir apenas a opinião das vendedoras e das mulheres que transitam na loja, anulando o próprio gosto e vontade – é ele. Se na academia se deparar com um ser deformado por anabolizantes e a cada movimento do tríceps olhar para uma garota diferente – é ele. Fez aplique capilar porque viu uma matéria sobre “a sedução do homem e seu cabelo” na Discovery – é ele. Critica, fala mal, despreza determinada mulher, pois ela não deu trela para… – é ele mesmo. Estão aí por toda parte. Mais do que podemos imaginar.

É claro que essa pseudo-auto-estima, não se limita apenas aos seres do sexo masculino. Há também a homem-estima, que são as mulheres que dependem da aprovação masculina para se autovalorizarem, ou seja, necessitam passar pelo crivo peniano. Entretanto, o que mais me chama a atenção em algumas mulheres, não é o caso de possuírem a homem-estima, mas a própria mulher-estima. Se fossem mulheres homossexuais, faz sentido possuírem mulher-estima, assim como homens homossexuais, a homem-estima, todavia o lance é das mulheres heterossexuais serem detentoras da mulher-estima. Para mim é estranho demais. Eu particularmente nunca entendi. Elas se vestem, se arrumam, se pintam, se capacitam, se aprimoram, se mostram interessantes, não para si, nem para os machos de sua espécie, mas para as outras mulheres. Não sei se elas foram homens na última encarnação. Talvez sim. Talvez seja saudade de ter três pernas. Talvez sintam inveja de não poderem fazer xixi em pé. Ou arrotar entre amigos e receber aplausos. Talvez tenham escutado do namorado “mulher de amigo meu pra mim é homem” e o namorado é muito popular. Talvez. Realmente não sei, são somente talvezes. Talvez.

Muita pesquisa. Muita análise. Muitos estudos. Lembro: Quantos jogos de futebol, quantas saídas para bares, quantas festas idas, quantas caronas dadas, quantas voltas no parque, quantos blefes no truco, sempre junto de bons amigos (vira e mexe tinha mais alguns conhecidos e coadjuvantes, mas que não vem ao caso). E lá, na intimidade da amizade, onde as máscaras são postas de lado, onde as ovelhas desvestem seus trajes de lobo, onde o afeto humano é bem visto e bem-vindo… Eis que surge uma… basta uma… apenas uma… e pronto! Máscaras são recolocadas, a lua cheia metamorfoseia as doces ovelhas em lobos famintos – famintos por olhares femininos de aprovação – o afeto humano, de abraços fraternos, transformam-se em braços de ferro, uma guerra inconsciente engendrada no interior de cada um…

Pare!

Nós homens devemos sim estimar as mulheres, mas não nos submetermos a elas. Bastam nossas mães que são capazes de com um comentário banal mudar toda a nossa vida, e agora, você, amigo meu, mudando o seu comportamento, esquecendo do seu “eu real”, do seu sentimento sincero de irmandade, por causa de um efêmero momento, um rabo-de-saia, uma ilusão psíquica! Ponhamos um ponto final nesta história! Mudemos, já! E aqui, faço meu apelo e convoco: “Homens esclarecidos de todo o mundo, uni-vos!” E juntos lutemos em prol desta nobre causa, resgatando falos perdidos, não importando quanto tempo isso demande, pondo assim a verdade face a face, cara a cara, glande a glande! Primeiro: nossos estimados amigos. Depois: todos os irmãos dos quatro quadrantes de nossa esfera. Cantemos, marchemos, em coro, uníssono, para que o mundo inteiro ouça “Diga: NÃO a mulher-estima e SIM a auto-estima!”¹.

Júlio de Ló

¹ As mulheres portadoras de mulher-estima são bem-vindas, então cantem com a gente!



Sentimento Amadoreiro

Não sei expressar meus sentimentos. Fica cafona (assim como a própria palavra cafona é cafona). Fica brega (assim como a própria palavra brega é cafona). Fica amadoreiro (uma palavra que não é brega, nem cafona, mas também não existe). Falar de sentimentos… acho que sou um amador (essa existe e me define), tanto na hora de escrever sobre, quanto ao lidar e me relacionar com uma linda mulher (ficou brega ou cafona?). Mas, toda essa introdução é só para dizer que estou pouco me lixando para o que as pessoas pensam. Estou aqui, colocando minha cara a tapa, para dizer o que eu sinto. E saiba que sinto sem querer sentir. Sinto porque sinto. Sinto logo existo. Sim, tô assim porque sinto. Sinto insegurança. Cinto de segurança. Sim sim salabim. Sincretismo. Sintonia. Sinto agonia. Sinderela é com “c”. Se você soubesse o que eu sinto? Sinto muito.

Não sabia que era tão difícil expressar o que sinto. No entanto, não vou desistir. Não! Quando se sente algo verdadeiro tem que se ir até o fim. Faltam 25 linhas para o fim. E tudo isso é somente porque estou a fim de uma garota (é o fim do mundo). “Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo” acho que ela não se interessaria por mim, nada contra o nome, todavia não combina comigo. Raimundo, Herculano, Jorge Tadeu, Serafim, Fagner, Heródoto, são nomes de pessoas que já existiram por tempo considerável no nosso vasto mundo. Eu me chamo… Ela se chama… Eu a chamo de Leãozinho (ok, brega e cafona!). E eu? Oras: Miau! (ok, transcendi, se preferir: veado! – olha, mas antes de continuar, quero fazer um adendo: não tenho nada contra a homossexualidade, pelo contrário, mas é que o termo veado vai muito mais além, se refere a alma: a alma veada! Quem é veado é veado, seja homem, seja mulher, seja hetero, seja poodle, veado não se refere ao sexo, veado é aquela amiga que faz escândalo ao te ver, usa roupas excêntricas, sente inveja descaradamente, mas jamais perde a classe, é histééééérica, possui um vocabulário próprio, troca o “j” e o “s” pelo “z” (Zúlio Zafado), faz gestos eloqüentes sem desgrudar o cotovelo do corpo, “eu te amo” é mesma coisa que “bom dia”,  chora rindo, ri chorando, enfim, veado – Miau!)

Mas veadagem à parte. Tudo que fiz até o instante foi desenvolver uma teoria e me esconder atrás dela. E faltam apenas 9 linhas e ainda nada falei. Então, por precaução, vou discorrer sobre um tema qualquer, por exemplo este que está martelando na minha mente: pessoas apaixonadas. Já reparou que elas expressam a alegria por estarem apaixonadas de diferentes maneiras. Um abraço mais forte, um sorriso tímido, uma dança não catalogada, um atraso num compromisso. Uma expressão de réu que se entrega por crime algum cometido, um tropeço divagante em calçadas lisas, um papel cheio de nomes (iguais), outro atraso num compromisso. Um detalhe no pescoço, uma ligação inesperada-esperada, um canto desafinado ou afinado ao ouvido do coração. E, finalmente aquelas que criam crônicas sem pé nem cabeça e faltam em compromissos para escrevê-las. Mas, apesar das diversas formas de expressar tal sentimento, o brilho nos olhos delas é sempre o mesmo.

Júlio de Ló




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